Sobram Apenas Palavras
Vivemos uma era em que muitos desejam resultados sem esforço, riqueza sem conhecimento, ganhos sem disciplina. Buscam um galho de ouro sem jamais terem plantado a árvore. Uma multidão que corre atrás da colheita ignorando a plantação, o cuidado, o trabalho diário. Como disse Jean-Jacques Rousseau: “O homem nasce bom, a sociedade o corrompe.” Talvez essa pressa por viver sem consequências tenha apenas revelado o desejo oculto alimentado pelas redes sociais: a ilusão de sucesso instantâneo.
Nessa corrida cega por “crescer a qualquer custo”, por “vencer a qualquer preço”, muitos perdem a ética, o caráter e a honra. A palavra, antes valiosa, vira apenas registro, formalidade, tinta no papel. No delírio de tentar condensar sete anos em um, aceitam riscos insanos, confiando não em estratégia ou preparo, mas na sorte — como jogadores que apostam alto acreditando que serão os escolhidos.
Mas quem aposta alto paga caro. Hoje vemos pessoas que, ao enfrentar a adversidade (em outras palavras: quando perdem), tentam dividir o prejuízo, culpar quem está ao redor, arrumar justificativas para não cumprir o combinado. E sempre me pergunto: se tivesse dado certo, dividiriam a fortuna ou apenas pagariam o que foi acertado?
A adversidade revela quem você realmente é. Simples assim. Se enfrenta dificuldade financeira, é capaz de honrar compromissos? Desfazer-se do que tem? Trabalhar mais? Gastar menos? Conversar com credores? Ou prefere ignorar a dívida, continuar viajando, festejando, gastando, como se nada estivesse errado? A Bíblia, em Deuteronômio 28, deixa claro: maldição e escravidão caminham ao lado das dívidas.
Trabalhar ou fazer negócios com pessoas aventureiras e indisciplinadas gera caos. Diante de qualquer desconforto, surgem desculpas antes de soluções. Viram vítimas quando dá errado e reis quando dá certo. Mas o erro é inevitável: não se colhe abacaxis plantando maçãs. Esse tipo de pessoa explora os bons de coração, aqueles que acreditam em mudança e redenção. Fazem belos discursos, convencem, recebem ajuda — e depois tratam quem os ajudou como tolos. Estão acostumados ao teatro.
E lembre-se:
Cuidado ao entrar no chiqueiro para salvar o porco — você sairá cheirando a chiqueiro. Ele, não. Já se acostumou ao cheiro.
Maquiavel já dizia: “Quando fizer o bem, faça-o aos poucos.” Assim, você identifica quem realmente é digno de caminhar ao seu lado. A vida é mais simples do que parece: está acima do peso? Coma menos, melhor e exercite-se. Problemas financeiros? Trabalhe mais, aprenda mais, gaste menos. A dificuldade é alimentada diariamente — para o bem ou para o mal. O esforço e o tempo serão exigidos de qualquer forma.
Cuidado: ao tentar salvar o porco, você pode começar a comer lavagem sem perceber.
Bons negócios — de vida, aliás.
Obermayer Júnio

This Post Has 0 Comments